domingo, 21 de fevereiro de 2016

Dias melhores, dias piores.
Dias de cão, dias nas nuvens.
Pisar em ovos,
andar no paraíso.
Só se sabe como vai ser,
depois que acordar,
lavar o rosto, olhar no espelho.
O que vai estar lá
é uma questão de perspectiva.
Pode ser um anjo,
pode ser um pária,
ou ambos no mesmo dia...
ou os dois, no mesmo espelho.
Quem vai atender ao chamado
quando baterem à porta? 
Quem vai chorar sem consolo
quando baterem a porta?
O anjo ou o pária?
Ou os dois ao mesmo tempo,
não dá pra saber agora,
só amanhã ao acordar,
depois de lavar o rosto,
depois de olhar no espelho.
Onde estará pisando,
se nas nuvens ou em vidro,
tem que levantar da cama,
pisar no chão frio pra saber.
Cada dia é um bom dia,
ou uma maldição,
ou os dois ao mesmo tempo,
nas mesmas vinte e quatro horas.
Impossível descobrir antes de o dia acabar
ou antes de começar.
Bom dia.
Bom dia?

31/10/2014

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Quando se chega ao fundo do poço
ao final de uma queda livre
o que está lá?
o que se pode encontrar?
Os sonhos que você deixou cair 
no caminho,
as lágrimas que você chorou 
no percurso,
os pedaços de você que se partiram 
nas batalhas,
os sorrisos que você fingiu
em público,
os gritos abafados,
e os desabafos gritados ao vento.
Sua alma em farrapos
e as vestes de todas as suas festas,
até da mais bonita das festas,
até o mais lindo vestido vermelho.
Todo o vinho bebido,
e toda água que lavou seu rosto vermelho.
Toda máscara que usou para esconder a tristeza
e toda maquiagem que não usou por estar triste.
A vergonha e a decepção de ter caído.
A coragem de todas as vezes que tentou levantar-se.
Todas as vitórias.
Todas as derrotas.
Tudo estará lá,
ao final da queda livre,
no fundo do poço.
Fim."

Lua Rocha, por ela mesma.
Só sobrou ela.
10/ago/2014
Paradoxo.
É querer não querer mais.
É viver morrendo de saudades
nessa exagerada escassez de você.
É esticar os braços e chegar
cada vez mais perto da tua ausência,
encontrar apenas o desencontro,
encantar-se com o desencanto
de não te encontrar onde você está.
Paradoxal essa sensação
de querer fugir para perto
de onde você não está,
de sentir tua frieza queimar,
arder cada fibra do meu ser!
Sentir meu calor derreter o gelo
que tentei fingir,
aquecendo a frieza que vem de você,
mesmo sem você perceber...
Paradoxo
é chorar de tanto rir,
e não conseguir mais rir, então,
pois o choro roubou a cena...
É sentir na língua o amargo
de chamar seu nome doce
como o absinto...
É querer esse absinto todos os dias,
é rejeitar o mel em favor de alguns minutos
da tua doçura amarga.
É saltar no abismo desconhecido
dos teus braços,
cair até o infinito mais profundo
da tua cama,
dormir o sono da morte
e viver eternamente no teu abraço.
Ou na saudade de te abraçar...
Paradoxal essa saudade
de querer não te querer mais.

Lua, sob a lua. 17/08/2014

terça-feira, 1 de julho de 2014

E a Lua estava vermelha de raiva

vermelha do sangue nas veias

e nos olhos

vermelha de paixão

vermelha de vergonha

vermelha da guerra e do amor...




(A Lua, 15/04/2014, amanhã também, quem sabe...)


"Quatro paredes, o chão e o telhado.
Nada de portas, nada de janelas.
E tudo que ela precisava era estar em outro lugar,
Fora daquelas paredes, além daquele telhado.
Além dela mesma, 
Pois ela mesma era as paredes, o telhado e o chão.
Ela estava tancada em si mesma."

Lua Rocha, 18/12/2013, sufocada)

"Gosto de ficar assim
(escre)vendo a vida a passar
diante dos meus olhos
(revi)vendo a vida a passar
entre os meus dedos
(sor)vendo a vida a passar
entre os meus lábios
vendo a vida passar
só vendo."

08/05/2013

domingo, 25 de maio de 2014

Minha alma está vestida com roupas de festa, ainda que o casaco seja emprestado. É que estou voando para realizar um sonho!
Eu gastaria porções de coragem todos os dias, se o céu fosse o meu limite. Desfilaria sapatos doados, sandálias baratas e até pés descalços, se a passarela fosse sempre um país diferente. Levaria na mochila as roupas do ano passado, e voltaria vestida de novas certezas, novas verdades, novos começos...
Sentir novos cheiros, ouvir novos sons, pisar outros solos, sentir novos sabores, admirar novos contornos, novos lugares. 
Conhecer novas pessoas, apertar outras mãos, ouvir outras línguas, outras vozes, novos sorrisos. Sentir o calor do sol e dos abraços no clima de novos países e novas amizades. 
Andar cercada de estranhos, sendo eu também uma estranha entre os outros. Descobrir nesses estranhos o poder da gentileza, da hospitalidade, de um simples sorriso. Perceber que esses estranhos são também meus semelhantes...
Voei e realizei um sonho. Não voltei me sentindo melhor que ninguém: voltei me sentindo melhor que eu mesma, como jamais imaginei que poderia ser. Voltei me sentindo mais forte do que quando saí, pois percebi que posso fazer o que eu quiser! Percebi que o céu não é o limite: não existem limites!
Há ainda muitos outros sonhos, outros lugares, outras verdades para vestir. 
Que meus pés possam sempre desfilar nas nuvens!

26/11/2013