quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Paradoxo.
É querer não querer mais.
É viver morrendo de saudades
nessa exagerada escassez de você.
É esticar os braços e chegar
cada vez mais perto da tua ausência,
encontrar apenas o desencontro,
encantar-se com o desencanto
de não te encontrar onde você está.
Paradoxal essa sensação
de querer fugir para perto
de onde você não está,
de sentir tua frieza queimar,
arder cada fibra do meu ser!
Sentir meu calor derreter o gelo
que tentei fingir,
aquecendo a frieza que vem de você,
mesmo sem você perceber...
Paradoxo
é chorar de tanto rir,
e não conseguir mais rir, então,
pois o choro roubou a cena...
É sentir na língua o amargo
de chamar seu nome doce
como o absinto...
É querer esse absinto todos os dias,
é rejeitar o mel em favor de alguns minutos
da tua doçura amarga.
É saltar no abismo desconhecido
dos teus braços,
cair até o infinito mais profundo
da tua cama,
dormir o sono da morte
e viver eternamente no teu abraço.
Ou na saudade de te abraçar...
Paradoxal essa saudade
de querer não te querer mais.

Lua, sob a lua. 17/08/2014

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