sexta-feira, 24 de agosto de 2012

meus olhos vermelhos

Onde é que tá aquela caverna pra eu me esconder? 
Onde é que tá aquele túnel com uma luz no final?
Onde é que tá o fundo desse poço, que não chega?
Onde é que tá a borda, pra eu segurar?
Onde é que tá aquela mão, pra me amparar?
Onde foi parar a luz, afinal?
Por que ficou tão escuro, assim de repente?
Não sei por qual razão estou tão mal.
O tédio, a melancolia, a nostalgia
Foi isso que sobrou da m
inha alegria.
Meus olhos, não mais negros, mas vermelhos,
Já cansam dessa dor que é como o mar.
Salgado e infinito mar."

Lua Rocha, 20/08/2012

Quero ser grande

Paradoxal o desejo de, sendo grandes, querermos ser pequenos.
"Tomara que eu faça logo dez anos!"
Como se uma década nos tornasse imperadores reis duques condes deuses...
"Dez anos não me bastam, quero quinze!"
Princesas enfeitadas em seus imaginários castelos dançam valsa à meia-noite com seus também imaginários príncipes, tão normais tão comuns tão mortais quanto elas... 
Passada a fantasia, "quero agora ter dezoito!"
Maioridade, liberdade... Mero, puro, singelo, ingrato engano.
A tão sonhada liberdade é a maior prisão que já existiu!
E a pior também, prisão em si mesmo, de onde não se consegue libertar.
Você decide agora! Quer ser gente grande? Para onde quer ir?
O que quer fazer com você mesmo?
Talvez seja uma boa escolha, talvez nem tanto...
Até que os dezoito ainda não trazem tantos danos,
Tem-se a desculpa da pouca (pouca?) idade, vamos perdoá-los
são ainda tão jovens.
"Quero ter mais, mais, mais idade!"
Quero ter a idade da estabilidade!
Seria 25? 30? 40!
Não seremos jamais estáveis.
Jamais conseguiremos chegar lá.
Mas buscamos, buscamos, buscamos.
Então chega o momento em que descobrimos que jamais chegaremos.
É nesse momento que se deseja voltar atrás e viver de novo aquela velha infância.
Ah, se eu tivesse 13, e não 31! Quais eram minhas grandes preocupações aos 13? Onde eu andava, e como? Como era o mundo para mim? O que meus olhos enxergavam aos 13?
Tudo o que eu queria agora, eu que tanto quis ser grande, era ver de novo o mundo com meus olhos de criança."

Lua Rocha, 24 de agosto de 2012, parafraseando Rafael Carvalho.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Mire e veja

Quem não atenta para as grandes misérias da vida não sabe o que é construir a ferro e fogo a própria sorte. 

Lua Rocha.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Meu elevador pessoal.

Costumo comparar meu estado de espírito a um elevador. Um escritor famoso fez isso e acabei me inspirando nele. 
Pois é assim que costumo explicar aos outros como estou me sentindo: "Meu elevador está no térreo", "Meu elevador está no terceiro andar", "Meu elevador está no subsolo"...
Já cansei do sobe-desce desse elevador. Já estou tonta, enjoada desse movimento!
Quero parar em um andar confortável, de preferência que tenha janela ampla com vista para o mar!
Preciso estabilizar minhas emoções. Necessito urgentemente de descanso para os meus nervos! Mas com esse sobe-desce, nunca será possível.
Alguém pode parar, por favor, de apertar essa droga de botão? 
De preferência quando o elevador estiver lá em cima.

Lua Rocha, 07/08/2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

À beira do abismo.

Uma força. Um magnetismo. Um impulso.
Um querer maior que o não poder me leva de volta para a beira do abismo, onde o perigo espreita...
Basta um passo. Um vacilo. Um cochilo. Uma tontura.
Basta uma distração, e pronto. Lá se vai todo o esforço, toda vigilância.
Quisera poder arriscar um movimento brusco sem o risco da queda livre!
Queria poder correr, pular, subir e descer, sem o perigo de me machucar novamente!
Mas a queda é certa, então nem vou tentar.
Não posso olhar para os lados, não devo dar atenção a quem me chama, nem a quem sussurra em meu ouvido.
Preciso manter o foco, concentrar-me e não esquecer do risco que estou correndo enquanto estiver aqui, à beira do abismo.

Lua Rocha, 31/03/2012, às 23:30 ("O perigo descansa às portas".)

domingo, 5 de agosto de 2012

Esperam demais de mim.

Esperam demais de mim.
Os frutos que eu não posso dar.
O sorriso constante,
A boca sempre falante,
As mãos prontas para o trabalho,
Os olhos abertos, a visão perfeita,
Sentir o cheiro doce das flores do jardim,
Mesmo com a boca e a alma amargas.
O que esperam de mim?
Que eu sempre funcione bem,
Que eu jamais dê nenhum defeito.
Que eu ande sempre por trilhas retas
Ainda que o caminho esteja cheio de pedras.
Eles querem (todos querem!)
Que eu nunca desista,
Nem mesmo daquilo que me deixa triste.
Esperam que eu vá sempre em frente.
Avante! Sem parar!
Mesmo que eu dê de cara com a parede.
Mesmo que eu encontre uma curva,
Ou até mesmo um precipício.
Continue! Não pare!
Parar é para os fracos...
Mãos à obra! Olhos atentos!
Não descanse!
Você é de
ferro!
aço!
pedra!
gelo...
pétalas...
Perfeita como uma flor.
Frágil como uma flor.

Lua Rocha, 16/06/2012 (9:19, na lancha.)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Frio.

Não creio que seja tão fácil.
Sinto-me submersa em uma banheira de sentimentos frios, de palavras frias, de olhares frios.
Gestos frios, mãos frias, alma fria.
Beijos frios, dedos, toques, braços e abraços frios.
Não. Realmente não vai ser fácil.
Sair ou ficar são duas decisões igualmente difíceis...
Como posso ficar, se preciso do calor, do fogo, de sentir mãos que queimam, lábios e olhos que são como fogo?
Como ficar e não ter o sussurro das palavras ardentes, o vento quente que sai da voz tremulante como o chão quente do deserto?
Como eu ficaria, se preciso de fogo nos gestos, nos movimentos...
Como eu ficaria se saísse daqui?
Do conforto do frio sem suor nem cansaço, do toque do gelo que igualmente queima, gelo que paradoxalmente queima...
Não é tão simples escolher.
Por quê?

Lua Rocha, 23/07/2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Você se foi.

Você arrebatou os meus sentidos.
Durou um instante apenas, mas mexeu comigo como eu jamais imaginei.
Foi como um furacão, um terremoto...
Tirou tudo do lugar.
Você foi uma loucura, uma febre, uma doença mortal.
Uma insanidade momentânea, que demorou mais do que era esperado.
Era preciso te deixar partir. Mas você não estava mais aqui!
Eu precisava soltar as amarras e me desapegar.
Mas você jamais esteve preso a mim...
Quem conseguiria conter a força de um vendaval?
Você passou por mim, mas não ficou.
Meus olhos te viram passar, mas quem poderia segurar um furacão?
Não pude te manter aqui.
Eu precisava te deixar ir, e você se foi.
Você jamais esteve aqui.
Foi uma loucura, apenas um delírio.
Uma doença fatal.
Você se foi...

Lua Rocha, 01/07/2012     :'(