sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Quero ser grande

Paradoxal o desejo de, sendo grandes, querermos ser pequenos.
"Tomara que eu faça logo dez anos!"
Como se uma década nos tornasse imperadores reis duques condes deuses...
"Dez anos não me bastam, quero quinze!"
Princesas enfeitadas em seus imaginários castelos dançam valsa à meia-noite com seus também imaginários príncipes, tão normais tão comuns tão mortais quanto elas... 
Passada a fantasia, "quero agora ter dezoito!"
Maioridade, liberdade... Mero, puro, singelo, ingrato engano.
A tão sonhada liberdade é a maior prisão que já existiu!
E a pior também, prisão em si mesmo, de onde não se consegue libertar.
Você decide agora! Quer ser gente grande? Para onde quer ir?
O que quer fazer com você mesmo?
Talvez seja uma boa escolha, talvez nem tanto...
Até que os dezoito ainda não trazem tantos danos,
Tem-se a desculpa da pouca (pouca?) idade, vamos perdoá-los
são ainda tão jovens.
"Quero ter mais, mais, mais idade!"
Quero ter a idade da estabilidade!
Seria 25? 30? 40!
Não seremos jamais estáveis.
Jamais conseguiremos chegar lá.
Mas buscamos, buscamos, buscamos.
Então chega o momento em que descobrimos que jamais chegaremos.
É nesse momento que se deseja voltar atrás e viver de novo aquela velha infância.
Ah, se eu tivesse 13, e não 31! Quais eram minhas grandes preocupações aos 13? Onde eu andava, e como? Como era o mundo para mim? O que meus olhos enxergavam aos 13?
Tudo o que eu queria agora, eu que tanto quis ser grande, era ver de novo o mundo com meus olhos de criança."

Lua Rocha, 24 de agosto de 2012, parafraseando Rafael Carvalho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário