terça-feira, 31 de julho de 2012

Minha vida real

Aqui estou eu, com saudades de brincar de casinha, de ser a mulherzinha de um maridinho de comédias românticas. A vida real me chama...
A minha vida é real. Mas dá pra ser apaixonada e apaixonante na vida real... Vou continuar tentando, vocês vão ver!
Irei atrás do meu brilho de estrela de cinema. Não que eu queira representar, não é bem isso... Mas se pra ser tudo o que eu quero ser eu precisar encarar um papel, atuar, viver em cena, é assim que vai ser.
Tudo pela felicidade! Tudo para parecer feliz.

Lua Rocha, 15/03/2011

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Não há lugar melhor do que a nossa casa.

Você pode passar a vida inteira viajando por milhares de lugares diferentes, conhecendo milhões de pessoas, culturas, costumes diferentes, mas, inevitavelmente, no fim das contas, você vai acabar querendo voltar para casa.
É gostoso estar fora, out, até off às vezes (rsrs), mas não dá para estar sempre fora.
"Não há lugar melhor do que a nossa casa".
Nada é melhor do que aquilo que é nosso, que nos pertence.
A insegurança de estar "fora" dá uma inexplicável euforia, um prazer desmedido, mas o conforto acolhedor do "nosso cantinho" os braços confortáveis da nossa "casa", nos proporcionam segurança, estabilidade, amparo. Mas se às vezes queremos fugir exatamente dessa estabilidade? Fujamos pois! Mas não devemos, entretanto, perder o caminho de volta.
Deixemos a trilha de migalhas no caminho! Ela nos mostrará por onde voltar.
Mas cuidado com os pássaros!
Se eles devorarem a trilha, perderemos o caminho de volta...
"... e não há lugar melhor do que o nosso lar."

Lua Rocha, 12/04/2011

domingo, 29 de julho de 2012

Lembranças de infância em Misericórdia

As nuvens tinham formas de animais.
As estrelas pareciam estar mais perto...
Parecia ser possível tocar o céu.
Tudo parecia ser maior: as casas, as árvores, as ruas... Até o mar parecia ser maior!
O cheiro era inebriante. Cheiro de terra, de mato, cheiro de vida!
Todos os cheiros eram perfumes. Cheiro do orvalho sobre a terra, cheiro de caju, cheiro de castanha torrando na assadeira, cheiro de maresia, cheiro do gado solto pelas ruas, cheiro de fumaça à noite, pra espantar mosquito... Cheiro de "venda"...
A alegria era contagiante. Cada manhã era mais gostosa que a anterior. Era mais um dia que chagava, trazendo consigo um inigualável frescor que comungava com a radiância do verão. A proteção da varanda rústica não permitia que houvesse briga entre a brisa e o sol. Eles andavam de mãos dadas: às vezes o sol aquecia e logo depois a brisa refrescava.
Andar com os pés no chão, em contato com a terra, era como estar ligados à nossa matéria-prima, nossa origem. As ruas sem calçamento nos afastavam de qualquer vestígio de cidade grande.
O pão enrolado em papel de embrulho, amarrado com barbante, dava a real impressão do atraso necessário à verdadeira paz. A falta da tecnologia da balança eletrônica nos obrigava a ver balanças antiquíssimas, mas belíssimas aos nossos infantes olhos.
E o gosto do pão... Nenhum pão tinha o sabor igual. Aliás, nada era igual, nada tinha o mesmo sabor. A manga saboreada sem cerimônia, sujando a boca, o rosto, as mãos e a roupa... A água de coco era a mais gostosa. As carambolas, as goiabas, os abacates, até a cica de caju tinha a sua magia! O suco de caju era o mais esperado, tinha (e tem até hoje) o gosto do verão! A cana era a mais doce, os ingás eram suculentos, o jamelão tinha uma cor magnífica!
O porto era o lugar mais perfeito do planeta. Ir ao porto à tarde era o momento mais esperado, o grupo ia fazendo algazarra desde a casa até chegar lá, onde era o paraíso na terra. Ver o pôr-do-sol no porto era, era... indescritível. A volta sempre era mais silenciosa, o cansaço voltava junto conosco...
O cair da tarde trazia consigo uma orquestra!
O silêncio se misturava com o insistente canto das cigarras, que pareciam estar reunidas em assembleia geral.
Era delicioso o anoitecer. A noite parecia estar envolta em mistérios, criados pela nossa mente e ao mesmo tempo insondáveis...
Hoje nada mais é igual. Nem os cheiros, nem as cores, nem os sabores. O pão não é mais enrolado em papel de embrulho rosa ou verde. As nuvens não têm mais a forma de animais. Tudo está diferente...
Só mesmo o cheiro da castanha assando na fogueira nos traz de volta àquele passado tão gostoso, inesquecível.
E eu descobri que não existe lobisomem.

Lua Rocha, 05/04/2007

sábado, 28 de julho de 2012

Como é que pode uma pessoa ter tanto a dizer e ao mesmo tempo ficar sem palavras?
Como pode alguém querer gritar e no momento de maior angústia ficar sem voz?
Não é possível que seja medo. Ou será que é?
Se for medo, é medo de quê?
E se não for, então o que será?
Por que não gritar?
Por que não dizer?
Por que não fazer?
De que são feitas essas correntes? De que é feita essa prisão?
Quem é o teu carcereiro?
Quem te mantém atado a essas cordas que ferem teus pulsos?
"Liberdade, ainda que tardia."
Já é tarde, mas não é tarde demais.
Morte aos que aprisionam!
Desate os objetos que te prendem!
Feridos sejam os teus algozes!
Seja livre! Grite, cante, chore...
Que se veja liberdade em ti!

Lua Rocha - 23/04/2012 (às 16h, na lancha...)


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Lá vai o navio!

Lá vai o navio carregado de sonhadores.
Grande aquele navio! Cabem muitos sonhos lá.
Vai o navio, ao longe, até o perder da vista.
Lá vai o barquinho carregado de sonhadores.
De perto, o navio. Os sonhos parecem maiores!
De longe, o barquinho. Diminuem os sonhadores.
Encurtam também os sonhos, tão longe ficou o navio...
Cabem na palma da mão, no bolso raso, no coração cheio de mágoas.
Cabem nos olhos marejados, na garganta apertada por um nó
não sei de quê.
Porque são assim os sonhos: quanto mais distantes, mais concretos ficam,
para os verdadeiros sonhadores.
Ao longe se vai o navio.
Tão pequeno e tão grande.
Cabe no mar. Cabe no mundo.
Cabe nos meus olhos
e no meu coração.

Lua Rocha,
31/03/2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Você é livre?


Às vezes, mesmo supostamente livres, temos correntes imaginárias nos pés. E essas são as piores, as que nós mesmos colocamos.

Pense aí: quais são os teus grilhões?

Imperfeição


"Queria poder apagar certas coisas do passado. Passar uma borracha mágica que não deixasse nem mesmo resíduos de lembranças tristes, nem de acontecimentos desagradáveis, ou mesmo lágrimas que não fossem de alegria.
Queria pensar em toda a minha vida como uma história de contos de fadas... ou pelo menos como uma linda comédia romântica!
Queria poder olhar em volta com a consciência plenamente tranquila de que fiz tudo bem certinho, que não pisei na bola com ninguém, que não feri nem magoei, que jamais traí a confiança daqueles a quem mais amo.
Mas, oh, Imperfeição! Marca registrada da vida! 
Nem príncipes, nem homens perfeitos! Nem carruagens, nem limusines! Nem castelos, nem chalés à beira de uma praia paradisíaca! 
Oh, maldita Imperfeição! Mostra-me diariamente as rugas e manchas da minha história, as marcas e feridas que deixei em mim e nos outros.
Queria poder voltar atrás e fazer muitas coisas de outro jeito.
Oh, maldita Imperfeição..."
Lua Rocha
15/06/2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pra começo de conversa

Começar a escrever não é uma tarefa simples. 
Começar uma carta, começar um poema, uma crônica, um livro... 
As palavras brigam para sair. Todas querem ser a primeira. São como crianças... 
Temos que ser os adultos da história e organizar a "fila": você primeiro, você depois. Mas elas não ficam quietas no lugar, afinal, criança é assim mesmo! E umas insistem em tomar a frente, vir primeiro. Outras ficam mais conformadas, aguardando o seu momento...
Escrever é assim. 
Trazer de dentro o conflito das palavras soltas e domar seu ímpeto, controlar seus impulsos. As palavras vêm carregadas dos nossos sentimentos, e quando se juntam, contam nossa história, expressam nossas alegrias, desabafam nossas angústias, revelam nossos segredos, até os mais íntimos. 
Afinal, elas vieram de dentro de nós, de onde estão guardados os nossos lixos e os nossos tesouros!
Sejam bem vindos! Meu nome é Lua Rocha.