domingo, 28 de outubro de 2012

Nunca mais... Nunca mais?

"Nunca mais é tão definitivo!
Talvez é tão arriscado!
Não é tão decisivo!
Claro é tão nítido!
Sim é tão simples!
Melhor calar, então.
Melhor esperar pra ver.
Melhor pagar pra ver,
ou pra não ver, sei lá...
Quando não se tem certeza,

nada é melhor.
Não me faça perguntas
e eu não lhe direi mentiras,
nem te farei grosserias,
nem te serei fingida.
Nada pior que fingir.
Fingir, nunca mais.
Nunca mais é tão definitivo..."

Lua Rocha, 28/08/2012.

Filosofias baratas da vida...


Santa filosofia de botequim! Santa demagogia! Comparo-as com aquelas plantas que criam ramas e se espalham sobre um muro, cobrindo-o por completo. Se fica bonito? Talvez... Não se sabe mais como é o muro de verdade! Talvez o muro ficasse lindo apenas com uma simples camada de tinta... Mas agora, depois de tanta folha sobre ele, ele não é mais tecnicamente um muro, e sim uma planta! Muro disfarçado
de planta... Assim faz a demagogia com as pessoas: cobre de uma realidade que não é a sua própria, mas um disfarce. E essa santa filosofia (digo, a de botequim...), porque a filosofia faz as pessoas pensarem com a sua própria cabeça, investigando, remexendo "seres e não-seres", chegando a conclusões... Essa "outra", não... Tenta levar as pessoas a pensarem de uma maneira pré-determinada por uma pessoa, fazendo desta forma de pensar a verdade absoluta... e ainda com a desculpa de "estar conduzindo o outro a pensar"... "Não me peguem no braço! Não gosto que me peguem no braço." Álvaro de Campos disse isso, certamente aos demagogos e filósofos baratos da sua época... Não se sabe ao certo quem realmente são, com tanta ramagem, tanto disfarce sobre eles...
Acho que acordei meio ácida hoje...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

meus olhos vermelhos

Onde é que tá aquela caverna pra eu me esconder? 
Onde é que tá aquele túnel com uma luz no final?
Onde é que tá o fundo desse poço, que não chega?
Onde é que tá a borda, pra eu segurar?
Onde é que tá aquela mão, pra me amparar?
Onde foi parar a luz, afinal?
Por que ficou tão escuro, assim de repente?
Não sei por qual razão estou tão mal.
O tédio, a melancolia, a nostalgia
Foi isso que sobrou da m
inha alegria.
Meus olhos, não mais negros, mas vermelhos,
Já cansam dessa dor que é como o mar.
Salgado e infinito mar."

Lua Rocha, 20/08/2012

Quero ser grande

Paradoxal o desejo de, sendo grandes, querermos ser pequenos.
"Tomara que eu faça logo dez anos!"
Como se uma década nos tornasse imperadores reis duques condes deuses...
"Dez anos não me bastam, quero quinze!"
Princesas enfeitadas em seus imaginários castelos dançam valsa à meia-noite com seus também imaginários príncipes, tão normais tão comuns tão mortais quanto elas... 
Passada a fantasia, "quero agora ter dezoito!"
Maioridade, liberdade... Mero, puro, singelo, ingrato engano.
A tão sonhada liberdade é a maior prisão que já existiu!
E a pior também, prisão em si mesmo, de onde não se consegue libertar.
Você decide agora! Quer ser gente grande? Para onde quer ir?
O que quer fazer com você mesmo?
Talvez seja uma boa escolha, talvez nem tanto...
Até que os dezoito ainda não trazem tantos danos,
Tem-se a desculpa da pouca (pouca?) idade, vamos perdoá-los
são ainda tão jovens.
"Quero ter mais, mais, mais idade!"
Quero ter a idade da estabilidade!
Seria 25? 30? 40!
Não seremos jamais estáveis.
Jamais conseguiremos chegar lá.
Mas buscamos, buscamos, buscamos.
Então chega o momento em que descobrimos que jamais chegaremos.
É nesse momento que se deseja voltar atrás e viver de novo aquela velha infância.
Ah, se eu tivesse 13, e não 31! Quais eram minhas grandes preocupações aos 13? Onde eu andava, e como? Como era o mundo para mim? O que meus olhos enxergavam aos 13?
Tudo o que eu queria agora, eu que tanto quis ser grande, era ver de novo o mundo com meus olhos de criança."

Lua Rocha, 24 de agosto de 2012, parafraseando Rafael Carvalho.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Mire e veja

Quem não atenta para as grandes misérias da vida não sabe o que é construir a ferro e fogo a própria sorte. 

Lua Rocha.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Meu elevador pessoal.

Costumo comparar meu estado de espírito a um elevador. Um escritor famoso fez isso e acabei me inspirando nele. 
Pois é assim que costumo explicar aos outros como estou me sentindo: "Meu elevador está no térreo", "Meu elevador está no terceiro andar", "Meu elevador está no subsolo"...
Já cansei do sobe-desce desse elevador. Já estou tonta, enjoada desse movimento!
Quero parar em um andar confortável, de preferência que tenha janela ampla com vista para o mar!
Preciso estabilizar minhas emoções. Necessito urgentemente de descanso para os meus nervos! Mas com esse sobe-desce, nunca será possível.
Alguém pode parar, por favor, de apertar essa droga de botão? 
De preferência quando o elevador estiver lá em cima.

Lua Rocha, 07/08/2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

À beira do abismo.

Uma força. Um magnetismo. Um impulso.
Um querer maior que o não poder me leva de volta para a beira do abismo, onde o perigo espreita...
Basta um passo. Um vacilo. Um cochilo. Uma tontura.
Basta uma distração, e pronto. Lá se vai todo o esforço, toda vigilância.
Quisera poder arriscar um movimento brusco sem o risco da queda livre!
Queria poder correr, pular, subir e descer, sem o perigo de me machucar novamente!
Mas a queda é certa, então nem vou tentar.
Não posso olhar para os lados, não devo dar atenção a quem me chama, nem a quem sussurra em meu ouvido.
Preciso manter o foco, concentrar-me e não esquecer do risco que estou correndo enquanto estiver aqui, à beira do abismo.

Lua Rocha, 31/03/2012, às 23:30 ("O perigo descansa às portas".)

domingo, 5 de agosto de 2012

Esperam demais de mim.

Esperam demais de mim.
Os frutos que eu não posso dar.
O sorriso constante,
A boca sempre falante,
As mãos prontas para o trabalho,
Os olhos abertos, a visão perfeita,
Sentir o cheiro doce das flores do jardim,
Mesmo com a boca e a alma amargas.
O que esperam de mim?
Que eu sempre funcione bem,
Que eu jamais dê nenhum defeito.
Que eu ande sempre por trilhas retas
Ainda que o caminho esteja cheio de pedras.
Eles querem (todos querem!)
Que eu nunca desista,
Nem mesmo daquilo que me deixa triste.
Esperam que eu vá sempre em frente.
Avante! Sem parar!
Mesmo que eu dê de cara com a parede.
Mesmo que eu encontre uma curva,
Ou até mesmo um precipício.
Continue! Não pare!
Parar é para os fracos...
Mãos à obra! Olhos atentos!
Não descanse!
Você é de
ferro!
aço!
pedra!
gelo...
pétalas...
Perfeita como uma flor.
Frágil como uma flor.

Lua Rocha, 16/06/2012 (9:19, na lancha.)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Frio.

Não creio que seja tão fácil.
Sinto-me submersa em uma banheira de sentimentos frios, de palavras frias, de olhares frios.
Gestos frios, mãos frias, alma fria.
Beijos frios, dedos, toques, braços e abraços frios.
Não. Realmente não vai ser fácil.
Sair ou ficar são duas decisões igualmente difíceis...
Como posso ficar, se preciso do calor, do fogo, de sentir mãos que queimam, lábios e olhos que são como fogo?
Como ficar e não ter o sussurro das palavras ardentes, o vento quente que sai da voz tremulante como o chão quente do deserto?
Como eu ficaria, se preciso de fogo nos gestos, nos movimentos...
Como eu ficaria se saísse daqui?
Do conforto do frio sem suor nem cansaço, do toque do gelo que igualmente queima, gelo que paradoxalmente queima...
Não é tão simples escolher.
Por quê?

Lua Rocha, 23/07/2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Você se foi.

Você arrebatou os meus sentidos.
Durou um instante apenas, mas mexeu comigo como eu jamais imaginei.
Foi como um furacão, um terremoto...
Tirou tudo do lugar.
Você foi uma loucura, uma febre, uma doença mortal.
Uma insanidade momentânea, que demorou mais do que era esperado.
Era preciso te deixar partir. Mas você não estava mais aqui!
Eu precisava soltar as amarras e me desapegar.
Mas você jamais esteve preso a mim...
Quem conseguiria conter a força de um vendaval?
Você passou por mim, mas não ficou.
Meus olhos te viram passar, mas quem poderia segurar um furacão?
Não pude te manter aqui.
Eu precisava te deixar ir, e você se foi.
Você jamais esteve aqui.
Foi uma loucura, apenas um delírio.
Uma doença fatal.
Você se foi...

Lua Rocha, 01/07/2012     :'(

terça-feira, 31 de julho de 2012

Minha vida real

Aqui estou eu, com saudades de brincar de casinha, de ser a mulherzinha de um maridinho de comédias românticas. A vida real me chama...
A minha vida é real. Mas dá pra ser apaixonada e apaixonante na vida real... Vou continuar tentando, vocês vão ver!
Irei atrás do meu brilho de estrela de cinema. Não que eu queira representar, não é bem isso... Mas se pra ser tudo o que eu quero ser eu precisar encarar um papel, atuar, viver em cena, é assim que vai ser.
Tudo pela felicidade! Tudo para parecer feliz.

Lua Rocha, 15/03/2011

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Não há lugar melhor do que a nossa casa.

Você pode passar a vida inteira viajando por milhares de lugares diferentes, conhecendo milhões de pessoas, culturas, costumes diferentes, mas, inevitavelmente, no fim das contas, você vai acabar querendo voltar para casa.
É gostoso estar fora, out, até off às vezes (rsrs), mas não dá para estar sempre fora.
"Não há lugar melhor do que a nossa casa".
Nada é melhor do que aquilo que é nosso, que nos pertence.
A insegurança de estar "fora" dá uma inexplicável euforia, um prazer desmedido, mas o conforto acolhedor do "nosso cantinho" os braços confortáveis da nossa "casa", nos proporcionam segurança, estabilidade, amparo. Mas se às vezes queremos fugir exatamente dessa estabilidade? Fujamos pois! Mas não devemos, entretanto, perder o caminho de volta.
Deixemos a trilha de migalhas no caminho! Ela nos mostrará por onde voltar.
Mas cuidado com os pássaros!
Se eles devorarem a trilha, perderemos o caminho de volta...
"... e não há lugar melhor do que o nosso lar."

Lua Rocha, 12/04/2011

domingo, 29 de julho de 2012

Lembranças de infância em Misericórdia

As nuvens tinham formas de animais.
As estrelas pareciam estar mais perto...
Parecia ser possível tocar o céu.
Tudo parecia ser maior: as casas, as árvores, as ruas... Até o mar parecia ser maior!
O cheiro era inebriante. Cheiro de terra, de mato, cheiro de vida!
Todos os cheiros eram perfumes. Cheiro do orvalho sobre a terra, cheiro de caju, cheiro de castanha torrando na assadeira, cheiro de maresia, cheiro do gado solto pelas ruas, cheiro de fumaça à noite, pra espantar mosquito... Cheiro de "venda"...
A alegria era contagiante. Cada manhã era mais gostosa que a anterior. Era mais um dia que chagava, trazendo consigo um inigualável frescor que comungava com a radiância do verão. A proteção da varanda rústica não permitia que houvesse briga entre a brisa e o sol. Eles andavam de mãos dadas: às vezes o sol aquecia e logo depois a brisa refrescava.
Andar com os pés no chão, em contato com a terra, era como estar ligados à nossa matéria-prima, nossa origem. As ruas sem calçamento nos afastavam de qualquer vestígio de cidade grande.
O pão enrolado em papel de embrulho, amarrado com barbante, dava a real impressão do atraso necessário à verdadeira paz. A falta da tecnologia da balança eletrônica nos obrigava a ver balanças antiquíssimas, mas belíssimas aos nossos infantes olhos.
E o gosto do pão... Nenhum pão tinha o sabor igual. Aliás, nada era igual, nada tinha o mesmo sabor. A manga saboreada sem cerimônia, sujando a boca, o rosto, as mãos e a roupa... A água de coco era a mais gostosa. As carambolas, as goiabas, os abacates, até a cica de caju tinha a sua magia! O suco de caju era o mais esperado, tinha (e tem até hoje) o gosto do verão! A cana era a mais doce, os ingás eram suculentos, o jamelão tinha uma cor magnífica!
O porto era o lugar mais perfeito do planeta. Ir ao porto à tarde era o momento mais esperado, o grupo ia fazendo algazarra desde a casa até chegar lá, onde era o paraíso na terra. Ver o pôr-do-sol no porto era, era... indescritível. A volta sempre era mais silenciosa, o cansaço voltava junto conosco...
O cair da tarde trazia consigo uma orquestra!
O silêncio se misturava com o insistente canto das cigarras, que pareciam estar reunidas em assembleia geral.
Era delicioso o anoitecer. A noite parecia estar envolta em mistérios, criados pela nossa mente e ao mesmo tempo insondáveis...
Hoje nada mais é igual. Nem os cheiros, nem as cores, nem os sabores. O pão não é mais enrolado em papel de embrulho rosa ou verde. As nuvens não têm mais a forma de animais. Tudo está diferente...
Só mesmo o cheiro da castanha assando na fogueira nos traz de volta àquele passado tão gostoso, inesquecível.
E eu descobri que não existe lobisomem.

Lua Rocha, 05/04/2007

sábado, 28 de julho de 2012

Como é que pode uma pessoa ter tanto a dizer e ao mesmo tempo ficar sem palavras?
Como pode alguém querer gritar e no momento de maior angústia ficar sem voz?
Não é possível que seja medo. Ou será que é?
Se for medo, é medo de quê?
E se não for, então o que será?
Por que não gritar?
Por que não dizer?
Por que não fazer?
De que são feitas essas correntes? De que é feita essa prisão?
Quem é o teu carcereiro?
Quem te mantém atado a essas cordas que ferem teus pulsos?
"Liberdade, ainda que tardia."
Já é tarde, mas não é tarde demais.
Morte aos que aprisionam!
Desate os objetos que te prendem!
Feridos sejam os teus algozes!
Seja livre! Grite, cante, chore...
Que se veja liberdade em ti!

Lua Rocha - 23/04/2012 (às 16h, na lancha...)


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Lá vai o navio!

Lá vai o navio carregado de sonhadores.
Grande aquele navio! Cabem muitos sonhos lá.
Vai o navio, ao longe, até o perder da vista.
Lá vai o barquinho carregado de sonhadores.
De perto, o navio. Os sonhos parecem maiores!
De longe, o barquinho. Diminuem os sonhadores.
Encurtam também os sonhos, tão longe ficou o navio...
Cabem na palma da mão, no bolso raso, no coração cheio de mágoas.
Cabem nos olhos marejados, na garganta apertada por um nó
não sei de quê.
Porque são assim os sonhos: quanto mais distantes, mais concretos ficam,
para os verdadeiros sonhadores.
Ao longe se vai o navio.
Tão pequeno e tão grande.
Cabe no mar. Cabe no mundo.
Cabe nos meus olhos
e no meu coração.

Lua Rocha,
31/03/2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Você é livre?


Às vezes, mesmo supostamente livres, temos correntes imaginárias nos pés. E essas são as piores, as que nós mesmos colocamos.

Pense aí: quais são os teus grilhões?

Imperfeição


"Queria poder apagar certas coisas do passado. Passar uma borracha mágica que não deixasse nem mesmo resíduos de lembranças tristes, nem de acontecimentos desagradáveis, ou mesmo lágrimas que não fossem de alegria.
Queria pensar em toda a minha vida como uma história de contos de fadas... ou pelo menos como uma linda comédia romântica!
Queria poder olhar em volta com a consciência plenamente tranquila de que fiz tudo bem certinho, que não pisei na bola com ninguém, que não feri nem magoei, que jamais traí a confiança daqueles a quem mais amo.
Mas, oh, Imperfeição! Marca registrada da vida! 
Nem príncipes, nem homens perfeitos! Nem carruagens, nem limusines! Nem castelos, nem chalés à beira de uma praia paradisíaca! 
Oh, maldita Imperfeição! Mostra-me diariamente as rugas e manchas da minha história, as marcas e feridas que deixei em mim e nos outros.
Queria poder voltar atrás e fazer muitas coisas de outro jeito.
Oh, maldita Imperfeição..."
Lua Rocha
15/06/2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pra começo de conversa

Começar a escrever não é uma tarefa simples. 
Começar uma carta, começar um poema, uma crônica, um livro... 
As palavras brigam para sair. Todas querem ser a primeira. São como crianças... 
Temos que ser os adultos da história e organizar a "fila": você primeiro, você depois. Mas elas não ficam quietas no lugar, afinal, criança é assim mesmo! E umas insistem em tomar a frente, vir primeiro. Outras ficam mais conformadas, aguardando o seu momento...
Escrever é assim. 
Trazer de dentro o conflito das palavras soltas e domar seu ímpeto, controlar seus impulsos. As palavras vêm carregadas dos nossos sentimentos, e quando se juntam, contam nossa história, expressam nossas alegrias, desabafam nossas angústias, revelam nossos segredos, até os mais íntimos. 
Afinal, elas vieram de dentro de nós, de onde estão guardados os nossos lixos e os nossos tesouros!
Sejam bem vindos! Meu nome é Lua Rocha.